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O cantinho dos afetos… e da saúde

Agrupamento de Escolas de Anadia

Como já vem sendo focado, a vítima de bullying tende a ser alguém aparentemente mais frágil do que o agressor e cujas características, tanto físicas como psicológicas, a distinguem, de algum modo, da massa de alunos e a tornam facilmente identificável, logo, propícia à prática de bullying, uma vez que não se pode refugiar entre a multidão estudantil (McCarthy, Sheehan, Wilkie e Wilkie, 1996:51).     

 Regra geral, a vítima de bullying não tem noção de que é vítima, porque não sabe o que é o bullying. Assim sendo, a vítima pensa, simplesmente, que implicam e se metem com ela na escola. Em consequência disto, entra em depressão, perde o apetite (ou ganha um apetite voraz) e anda triste, não sabe bem porquê. Os pais também não compreendem a tristeza do filho.    

     Muitas vezes, os familiares só se apercebem que têm uma vítima de bullying em casa quando encontram marcas de agressão (ou quando notam que estas são constantes), pertences vandalizados e/ou roupa rasgada.     

   Confrontada, a vítima tenta disfarçar e negar as evidências (por vezes consegue). Quando o caso é mais grave e o agressor tenta extorquir dinheiro à vítima, torna-se mais fácil perceber que a criança/adolescente está a ser vítima de bullying, porque ela começa a pedir mais dinheiro aos pais ou é apanhada a roubar.        

   Quando o jovem chega a casa a chorar e a dizer que lhe bateram na escola ou lhe chamaram “nomes”, a sua idade costuma ser igual ou inferior a doze anos, uma vez que, após essa idade, a vítima deixa de contar aos adultos e isola-se, tentando contornar a situação sozinha, porque começa a sentir vergonha de estar a ser agredida e gozada.      

   Também porque, nesta altura, ela já ouviu dizer, frequentemente, por parte dos adultos, que não ligasse, que eram coisas de criança, que não era nada e que já havia passado. Ou seja, a vítima neste período já se apercebeu que os adultos não prestam a devida importância às suas queixas e, por esse motivo, passou a agir sozinha, fechando-se sobre si mesma ou convertendo-se numa vítima/agressor.   

  Saber mais . . .

 

  Autora: Luzia Pinheiro, Socióloga

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